Durante décadas, construir uma carteira de investimento parecia reduzir-se sobretudo a uma combinação de ações, obrigações e fundos de investimento; hoje, em contrapartida, os pequenos investidores têm acesso a muitas mais alternativas.
Investimentos alternativos para pequenos investidores: além da bolsa e dos fundos
O desenvolvimento das plataformas digitais permitiu participar em mercados que tradicionalmente estavam reservados a grandes patrimónios ou investidores institucionais.
O crédito privado, o crowdlending, determinados projetos imobiliários, as matérias-primas ou os ativos digitais são alguns exemplos.
Esta maior acessibilidade exige também uma maior capacidade de análise.
Um investimento alternativo não é necessariamente melhor do que um investimento tradicional e, em muitos casos, incorpora riscos adicionais relacionados com a liquidez, a concentração ou a dificuldade em avaliar o ativo.
A Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV) recorda que, antes de investir, é necessário compreender as características e os riscos do produto, prestando especial atenção a fatores como a rentabilidade, o risco, os custos e a liquidez.
Por isso, a questão não é substituir a bolsa e os fundos por investimentos alternativos, mas sim compreender o que podem trazer a uma carteira e que riscos implicam.
O que são os investimentos alternativos?
O conceito de investimento alternativo engloba uma ampla variedade de ativos e estratégias que se encontram fora dos investimentos tradicionais em ações, obrigações cotadas e fundos convencionais.
As principais opções podem incluir:
- Dívida ou crédito privado.
- Crowdlending e P2P lending.
- Investimento imobiliário.
- Capital de risco.
- Matérias-primas como o ouro.
- Criptoativos.
- Arte, colecionismo e outros ativos físicos.
Cada uma tem um comportamento diferente e, por isso, não deveriam ser analisadas como se fossem uma única categoria.
A principal característica que partilham é que podem trazer fontes de rentabilidade e riscos diferentes dos dos mercados financeiros tradicionais.
Por que razão podem interessar aos pequenos investidores?
A principal razão para incorporar investimentos alternativos não deveria ser simplesmente procurar uma rentabilidade superior.
A sua utilidade pode estar em diversificar as fontes de risco e rentabilidade de uma carteira.
Por exemplo, um investidor que concentra praticamente todo o seu património em ações está muito exposto à evolução dos mercados bolsistas e incorporar outros ativos pode reduzir essa dependência, embora também introduza novos riscos.
Além disso, alguns investimentos alternativos permitem acer aceder diretamente a determinados setores da economia real.
É o caso do crédito privado, onde o capital dos investidores pode financiar empresas ou projetos concretos em vez de ser negociado em mercados públicos.
Vamos analisar uma por uma:
1. Crowdlending e P2P lending
O crowdlending permite a um grupo de investidores financiar empréstimos concedidos a empresas ou particulares através de uma plataforma digital.
O investidor empresta uma determinada quantia e recebe juros de acordo com as condições do empréstimo, enquanto o mutuário obtém financiamento.
Para um pequeno investidor, uma das principais vantagens do modelo é a possibilidade de distribuir quantias relativamente pequenas entre diferentes operações; no entanto, também existe risco de crédito: se um mutuário não cumprir as suas obrigações, o investidor pode sofrer uma perda parcial ou total do capital.
Por isso, o crowdlending não deveria ser analisado apenas em função da taxa de juro objetivo. Também é necessário estudar o mutuário, o prazo, as garantias quando existam, a diversificação
e a liquidez.
O que oferece uma plataforma como a Maclear?
Plataformas como a Maclear facilitam o acesso de investidores particulares a empréstimos empresariais e permitem distribuir o capital entre diferentes operações.
A Maclear realiza processos de due diligence antes de publicar determinados projetos e atribui uma pontuação interna de risco às operações; estas ferramentas foram concebidas para ajudar a avaliar e gerir o risco, mas não o eliminam.
A plataforma conta também com o Autoinvest, que permite automatizar os investimentos seguindo os critérios configurados pelo utilizador.
Outra funcionalidade é o Secondary Market, que permite oferecer determinadas posições a outros investidores antes do seu vencimento. Esta função pode aumentar as possibilidades de liquidez, mas uma posição publicada não encontrará necessariamente comprador.
A Maclear AG opera sob o enquadramento financeiro suíço e é membro da PolyReg SRO, uma organização autorreguladora supervisionada pela FINMA.
2. Investimento imobiliário
O setor imobiliário é outra das alternativas mais conhecidas.
Comprar diretamente uma habitação, um espaço comercial ou um imóvel para arrendar exige normalmente um capital elevado, além de assumir despesas de aquisição, manutenção, financiamento e gestão.
As plataformas digitais criaram outras fórmulas para participar em projetos imobiliários com quantias inferiores.
Dependendo do modelo, o investidor pode financiar um projeto através de dívida ou adquirir uma participação no capital de uma sociedade.
A principal vantagem é poder acceder ao setor imobiliário sem ter de comprar e gerir um imóvel completo. A contrapartida é que estes projetos também podem apresentar risco de mercado, de execução, de financiamento e de liquidez.
3. Capital de risco e empresas não cotadas
Outra alternativa é investir em empresas que ainda não estão cotadas em bolsa.
O capital de risco e determinadas plataformas de equity crowdfunding permitem participar em empresas em diferentes fases de desenvolvimento.
A possibilidade de obter uma rentabilidade elevada existe, mas também existe o risco de a empresa não alcançar os seus objetivos ou até perder todo o seu valor.
Além disso, os investimentos em empresas não cotadas podem permanecer ilíquidos durante longos períodos.
Por isso, deveriam ser consideradas investimentos de maior incerteza e com um horizonte temporal potencialmente longo.
4. Ouro e outras matérias-primas
O ouro é frequentemente utilizado como ativo de diversificação e, em determinadas carteiras, como elemento defensivo face a determinados cenários económicos.
Um investidor particular pode obter exposição ao ouro através de diferentes veículos, desde ouro físico até produtos financeiros que replicam a sua evolução.
No entanto, o ouro não gera juros nem dividendos; a sua rentabilidade depende principalmente da evolução do seu preço.
O mesmo acontece com outras matérias-primas: podem contribuir para diversificar uma carteira, mas os seus preços podem sofrer movimentos importantes devido a fatores económicos, geopolíticos e de oferta e procura.
5. Criptoativos
As criptomoedas e outros criptoativos representam uma das alternativas de investimento mais acessíveis para os particulares.
O seu principal atrativo está relacionado com o seu potencial de crescimento e com o aparecimento de novas tecnologias e modelos financeiros.
Mas são também ativos especialmente voláteis. O seu preço pode sofrer variações importantes em períodos muito curtos e existem riscos adicionais relacionados com a tecnologia, a custódia, as plataformas e a regulação.
Por isso, se forem incorporados numa carteira, deveriam ter um peso consentâneo com o risco que o investidor esteja disposto a assumir.
A CNMV recomenda desconfiar dos investimentos que prometem rendibilidades elevadas sem risco e recorda a importância de verificar a informação e compreender o produto antes de investir.
6. Arte, colecionismo e outros ativos físicos
Arte, relógios, veículos clássicos, vinho ou determinados objetos de colecionismo também podem ser considerados investimentos alternativos.
Nestes casos, o valor depende em grande medida da oferta e da procura específicas de cada mercado.
O seu principal inconveniente para um pequeno investidor é que podem ser difíceis de avaliar e de vender; além disso, existem custos de conservação, seguros, intermediação e armazenamento.
Por isso, não deveriam ser confundidos com ativos líquidos que possam ser comprados ou vendidos facilmente.
Como se enquadram os investimentos alternativos numa carteira?
Um investimento alternativo não deveria ser incorporado simplesmente por ter gerado bons resultados recentemente.
A primeira pergunta deveria ser: que função quero que desempenhe dentro da minha carteira?
Pode servir para:
- Diversificar face às ações.
- Incorporar exposição ao crédito privado.
- Obter rendimentos através de juros.
- Aceder ao mercado imobiliário.
- Acrescentar exposição a matérias-primas.
- Participar em empresas não cotadas.
- Diversificar face a determinados riscos dos mercados tradicionais.
Uma vez definida a função, há que determinar que percentagem do património faz sentido afetar.
Não existe uma percentagem universal: para alguns investidores, as alternativas podem representar uma parte pequena e complementar da carteira; para outros, uma proporção maior pode fazer sentido se compreenderem perfeitamente os riscos e dispuserem de liquidez suficiente fora destes investimentos.
Diversificar não significa acumular produtos
Ter cinco investimentos diferentes não significa necessariamente estar bem diversificado.
Se todos dependerem do mesmo fator económico, o risco pode continuar a estar muito concentrado.
Por exemplo, combinar vários investimentos imobiliários não elimina a exposição ao setor imobiliário. Do mesmo modo, investir em diferentes empréstimos a empresas do mesmo setor ou país pode manter uma concentração elevada.
Uma carteira diversificada deveria procurar exposição a fatores de risco diferentes, e não simplesmente acumular produtos com nomes distintos.
O que deveria analisar um pequeno investidor antes de investir?
Antes de incorporar um investimento alternativo, convém responder pelo menos a estas perguntas:
Compreendo como funciona?
Se não consegue explicar de onde provém a rentabilidade, provavelmente ainda não compreende suficientemente o investimento.
Quando recuperarei o meu dinheiro?
A liquidez é especialmente importante em investimentos alternativos: alguns podem ser vendidos facilmente e outros exigem esperar até ao vencimento.
O que acontece se as coisas correrem mal?
É necessário conhecer os cenários de perda e que mecanismos existem para gerir determinadas ocorrências.
Que custos existem?
As comissões podem reduzir significativamente a rentabilidade final.
A plataforma ou entidade está regulada?
Quando o investimento é realizado através de uma plataforma, convém verificar quem a opera, sob que quadro regulatório e que informação disponibiliza.
No caso dos serviços de financiamento colaborativo regulados no quadro europeu, a ESMA assinala que existem requisitos específicos de proteção para investidores de retalho, entre eles avaliações de conhecimentos e simulações da capacidade de suportar perdas para determinados investidores não sofisticados.
Conclusão
Os investimentos alternativos oferecem aos pequenos investidores possibilidades que há anos eram muito menos acessíveis.
O crowdlending, o investimento imobiliário, o capital de risco, as matérias-primas, os criptoativos e outros ativos podem complementar uma carteira tradicional composta por ações, obrigações e fundos.
Mas diversificar não significa investir em qualquer ativo diferente.
Cada alternativa tem os seus próprios riscos, especialmente em termos de liquidez, volatilidade, crédito, avaliação e possibilidade de perda de capital.
Dentro deste universo, o crowdlending pode revelar-se interessante para quem procura incorporar crédito privado na sua carteira através de empréstimos a empresas. Plataformas como a Maclear facilitam o acesso a esta classe de ativos através de ferramentas de diversificação, análise de operações, Autoinvest e um Secondary Market sujeito à existência de compradores.
A chave para o pequeno investidor não está em encontrar um investimento alternativo que substitua todos os outros, mas em construir uma carteira em que cada ativo tenha uma função concreta e o risco global seja coerente com os seus objetivos e horizonte temporal.
A Maclear AG é uma plataforma suíça de empréstimo entre particulares (P2P) e crowdlending, com sede na Suíça. A empresa atua como intermediária financeira no setor não bancário e é membro da PolyReg SRO, em conformidade com a regulamentação financeira suíça, especialmente em matéria de AML, KYC e RGPD. A Maclear oferece a investidores particulares e qualificados acesso a oportunidades de empréstimos a empresas cuidadosamente selecionadas, com uma avaliação de riscos integrada, um Fundo de Provisão e um Mercado Secundário destinado à liquidez.
O conteúdo deste artigo é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. Não constitui um conselho de investimento, financeiro, fiscal ou jurídico. O empréstimo entre particulares (P2P) e os investimentos em crowdlending envolvem risco de perda parcial ou total do capital. Os desempenhos passados não garantem resultados futuros. A liquidez em um mercado secundário não é garantida. Os leitores são convidados a realizar suas próprias pesquisas e consultar consultores qualificados antes de tomar qualquer decisão financeira. A disponibilidade de produtos e serviços pode ser restrita em algumas jurisdições.