Diversificar uma carteira de investimento não consiste simplesmente em comprar muitos ativos diferentes.
Como diversificar a sua carteira de investimento (e porquê incluir dívida privada)
O objetivo é combinar investimentos que tenham diferentes níveis de risco, liquidez, horizonte temporal e comportamento perante diferentes cenários de mercado.
Uma carteira pode ser composta por numerosos produtos e, ainda assim, estar excessivamente concentrada.
Por exemplo, investir em várias ações de um mesmo setor ou em diferentes fundos com uma exposição semelhante não proporciona necessariamente uma diversificação eficaz.
Por isso, antes de decidir onde investir, convém perceber como diversificar uma carteira de investimento e que função pode desempenhar cada tipo de ativo.
O que significa diversificar uma carteira de investimento?
A diversificação consiste em distribuir o capital entre diferentes ativos, setores, geografias ou estratégias para reduzir a dependência de uma única fonte de risco.
A lógica é simples: se uma parte da carteira atravessa um período negativo, outras posições podem ter um comportamento diferente e limitar o impacto sobre o conjunto.
No entanto, diversificar não elimina o risco de perda, nem garante uma rendibilidade determinada. Uma carteira diversificada pode registar perdas quando diferentes mercados caem ao mesmo tempo.
A chave está em evitar uma concentração excessiva e construir uma combinação coerente com o horizonte temporal, a tolerância ao risco e as necessidades de liquidez de cada investidor.
Em que ativos é possível diversificar?
Existem diferentes formas de diversificação. Uma carteira pode combinar, por exemplo:
Ações
As ações oferecem potencial de crescimento a longo prazo, mas o seu preço pode registar flutuações importantes.
Diversificar entre diferentes empresas, setores e regiões pode reduzir a dependência de uma empresa ou mercado concreto.
Obrigações
As obrigações e outros instrumentos de rendimento fixo podem constituir uma fonte de rendimento e apresentar características diferentes das ações.
Contudo, apresentam também riscos, como o risco de crédito, de taxas de juro e de liquidez.
Depósitos e liquidez
Manter uma parte do património em numerário ou depósitos pode proporcionar liquidez para fazer face a necessidades próximas ou aproveitar oportunidades futuras.
A sua rendibilidade costuma ser mais limitada do que a de ativos com maior risco, embora dependa das condições do mercado.
Dívida privada e crowdlending
A dívida privada permite participar no financiamento de empresas através de empréstimos ou de outras estruturas de crédito.
No caso do crowdlending, os investidores podem financiar empréstimos empresariais através de plataformas especializadas, o que pode constituir uma fonte de rendibilidade potencial diferente das ações e de determinados produtos tradicionais.
Porque pode fazer sentido incluir dívida privada?
A dívida privada pode desempenhar um papel complementar numa carteira diversificada, uma vez que o seu comportamento não depende exclusivamente da evolução diária dos mercados bolsistas.
Em determinados modelos, o investidor obtém rendimentos associados ao pagamento de juros dos empréstimos; contudo, isso não significa que o investimento seja equivalente a um depósito nem que os pagamentos estejam garantidos.
O principal risco é o incumprimento das obrigações por parte do mutuário.
Por isso, ao analisar dívida privada e crowdlending, é importante prestar atenção a aspetos como a qualidade do mutuário, as garantias disponíveis, os prazos, a estrutura da operação e os mecanismos estabelecidos para gerir eventuais atrasos ou incumprimentos.
Numa plataforma como a Maclear, por exemplo, a análise dos mutuários inclui verificações legais, controlos AML e de antecedentes e uma análise financeira antes de um projeto poder ser publicado.
Estes processos foram concebidos para aplicar critérios de seleção e de controlo, mas não eliminam o risco de crédito nem garantem a devolução do capital.
Como repartir uma carteira de investimento?
Não existe uma percentagem universal que determine quanto deve ser afetado a cada ativo.
A distribuição depende de fatores pessoais e financeiros que podem mudar ao longo do tempo.
Uma forma prática de analisar uma carteira consiste em dividi-la em diferentes funções:
- Liquidez: capital disponível para necessidades de curto prazo.
- Estabilidade: ativos destinados a reduzir a volatilidade global.
- Crescimento: investimentos com maior potencial de valorização a longo prazo.
- Geração de rendimento: ativos orientados para produzir juros, dividendos ou outros fluxos.
- Diversificação: posições cujo comportamento possa ser diferente do dos ativos principais.
A dívida privada pode enquadrar-se nesta última parte, mas o seu peso deveria ser analisado tendo em conta o risco de crédito, a liquidez e o horizonte temporal.
Também convém evitar concentrar demasiado capital num único mutuário, projeto ou plataforma.
No crowdlending, distribuir a exposição por diferentes empréstimos pode reduzir o impacto que um problema individual teria sobre o conjunto da carteira, embora também não elimine o risco.
Diversificar também significa rever a carteira
A diversificação não é uma decisão que se toma uma única vez. Os investimentos podem mudar de valor e fazer com que o peso de cada ativo se afaste dos objetivos iniciais.
Por isso, pode ser útil rever periodicamente a composição da carteira e verificar se continua a ser coerente com os objetivos e o nível de risco que o investidor está disposto a assumir.
No caso do crowdlending, além disso, convém considerar os vencimentos dos empréstimos, a disponibilidade de liquidez e a concentração por mutuário ou projeto.
Conclusão
Diversificar uma carteira de investimento significa repartir o risco de forma consciente, não acumular produtos sem uma estratégia definida.
Combinar ações, obrigações, liquidez e outras classes de ativos pode ajudar a construir uma carteira com diferentes fontes de rendibilidade e risco.
Dentro dessa combinação, a dívida privada e o crowdlending podem desempenhar um papel complementar, desde que o investidor compreenda as suas características, riscos e limitações.
A diversificação pode reduzir a dependência de um único investimento, mas não garante lucros nem protege contra todas as perdas. Antes de investir, é fundamental analisar cada ativo e avaliar se se enquadra nos próprios objetivos, horizonte temporal e capacidade para assumir perdas.
A Maclear AG é uma plataforma suíça de empréstimo entre particulares (P2P) e crowdlending, com sede na Suíça. A empresa atua como intermediária financeira no setor não bancário e é membro da PolyReg SRO, em conformidade com a regulamentação financeira suíça, especialmente em matéria de AML, KYC e RGPD. A Maclear oferece a investidores particulares e qualificados acesso a oportunidades de empréstimos a empresas cuidadosamente selecionadas, com uma avaliação de riscos integrada, um Fundo de Provisão e um Mercado Secundário destinado à liquidez.
O conteúdo deste artigo é fornecido apenas para fins informativos e educacionais. Não constitui um conselho de investimento, financeiro, fiscal ou jurídico. O empréstimo entre particulares (P2P) e os investimentos em crowdlending envolvem risco de perda parcial ou total do capital. Os desempenhos passados não garantem resultados futuros. A liquidez em um mercado secundário não é garantida. Os leitores são convidados a realizar suas próprias pesquisas e consultar consultores qualificados antes de tomar qualquer decisão financeira. A disponibilidade de produtos e serviços pode ser restrita em algumas jurisdições.