As artes plásticas são a próxima grande tendência de investimento?
07.08.2025
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Quando a maioria de nós pensa em investir, nossa mente vai direto para ações, imóveis e talvez até criptomoedas. Mas há um outro canto, um tanto glamoroso, do mundo dos investimentos que vem causando ondas silenciosamente ultimamente: as artes plásticas, totalizando 57,5 bilhões no ano passado. por UBS Art Market.
De fato, pinturas, esculturas, talvez até mesmo aquela peça de mídia mista estranha, mas fascinante, que você viu na galeria local, pareça uma combinação de caos e genialidade. Acontece que a arte não é mais apenas para museus e bilionários excêntricos. Está se tornando algo ao qual mais e mais pessoas estão recorrendo, não apenas para se pendurar nas paredes, mas para aumentar sua riqueza.
Então, qual é o problema? As artes plásticas são realmente a próxima grande novidade em investimentos, ou essa é apenas mais uma tendência exagerada que está na vanguarda dos ultra-ricos? Vamos nos aprofundar e ver o motivo de toda essa confusão.
O fascínio da arte: mais do que apenas imagens bonitas
Durante séculos, colecionadores de arte adquiriram obras-primas não apenas por amor à estética, mas também como reserva de valor. A arte é física, tangível e muitas vezes atemporal. A peça certa pode manter ou até mesmo aumentar seu valor ao longo de décadas, em alguns casos de forma dramática.
Pense no trabalho de Jean-Michel Basquiat. Uma de suas peças, Untitled (1982) de uma caveira, vendida por alguns milhares de dólares nos anos 80, então buscado $110,5 milhões em um leilão em 2017. Esse é um ROI sério e uma história muito mais legal do que uma cotação de ações.
A arte também tende a ter uma baixa correlação com o mercado de ações. Essencialmente, isso significa que se seu 401 (k) está caindo, seu Warhol (se você tiver a sorte de ter um) provavelmente não está fazendo o mesmo. Isso torna as artes plásticas atraentes diversificação ferramenta para pessoas que desejam distribuir seus riscos e não colocar todos os ovos na mesma cesta — ou ETF.
Os compradores
A Masterworks e outras estão democratizando o mundo da compra de arte, permitindo que investidores comuns comprem ações fracionárias de obras de arte de primeira linha — pense em Monet, Picasso, Banksy e similares.
É como um financiamento coletivo para arte, mas com um toque financeiro. Você não precisa desembolsar mais de $2 milhões por uma pintura inteira — você pode comprar uma lasca por algumas centenas de dólares. Ótimo para quem deseja entrar no jogo da arte e, ao mesmo tempo, equilibrar aluguel e empréstimos estudantis.
Os investidores da geração Y e da geração Z, em particular, estão começando a gostar da ideia. Eles estão acostumados a pensar fora da caixa quando se trata de dinheiro. Além disso, é inegavelmente legal dizer aos seus amigos que você faz parte de um Basquiat.”
Como ganhar dinheiro com arte
Aqui, as pessoas começam a coçar a cabeça. Arte não é como ações — você não recebe dividendos. Não há símbolo de ticker. Não pode ser liquidado com um clique — tanto um pró quanto um contra.
Você pode ganhar dinheiro com a arte de duas maneiras principais:
Valorização: o valor da peça aumenta com o tempo e, ao vender, você embolsa os ganhos.
Aluguel/Locação: Em alguns casos, a arte pode ser alugada para galerias, hotéis ou escritórios. Isso é menos comum, mas está ganhando destaque, especialmente para arte de nível institucional.
Dito isso, não espere ganhar dinheiro da noite para o dia. Investir em arte é um jogo longo e paciência é fundamental. Não é para pessoas que buscam vitórias rápidas ou querem vencer em seis meses. Pense como o final de jogo de Warren Buffett, menos como o de Wolf of Wall Street.
Os riscos
Não vamos fingir que é uma aventura sem riscos. Como qualquer investimento, as artes plásticas trazem desafios. Entenda-os antes de começar.
Primeiro, a arte é subjetiva. O valor de uma peça pode aumentar e diminuir com base em:
tendências fugazes
campanha publicitária
a reputação do artista
eventos mundiais.
Além disso, o mercado não é tão transparente quanto, digamos, o S&P 500.
Considere também a liquidez. Ao contrário de vender uma ação da Apple, descarregar uma obra de arte pode levar tempo. Você precisará de um comprador, talvez de uma casa de leilões, e da sorte de o mercado estar aquecido quando você vende.
E nem me fale sobre falsificações, danos, seguros, armazenamento e todas as outras logísticas do mundo real que vêm com a posse de obras de arte físicas. Se você está seguindo o caminho do bricolage (ou seja, comprando e guardando peças sozinho), esteja preparado para fazer sua lição de casa.
Recém-chegados
Apesar dos riscos, há muitos investidores fazendo com que isso funcione — e se saindo muito bem. Famílias ricas usaram a arte como uma forma de preservar e aumentar a riqueza por gerações. Na verdade, de acordo com um relatório de 2022 da Deloitte, mais de 80% dos indivíduos com patrimônio líquido ultra-alto incluem arte como parte de seu planejamento imobiliário e estratégia patrimonial.
As instituições também estão entrando em cena. Fundos de hedge e escritórios familiares estão alocando porções do portfólio para arte, à medida que a inflação come retornos.
E graças às novas plataformas tecnológicas, pessoas comuns podem aproveitar essa onda.
O que torna uma peça “de grau de investimento”?
Nem todas as pinturas em uma feira de rua são um investimento sensato. Considerando a arte como um ativo, certas peças tendem a ter um desempenho melhor do que outras.
Veja o que os investidores normalmente procuram:
Artistas consagrados: pense em nomes famosos com um histórico de vendas e demanda.
Proveniência: Uma palavra chique para história. Onde está a peça? Quem era o dono? Foi exibido nas principais galerias?
Condição: Assim como os carros, a condição é importante. O trabalho de restauração pode afetar o valor.
Raridade: peças únicas ou limitadas geralmente são apreciadas mais com o tempo.
Tendências: alguns artistas ou estilos explodem repentinamente. Ficar de olho nas tendências culturais (e nos futuros artistas) pode valer a pena.
Obviamente, nada disso garante lucro. A arte tem tanto a ver com o tempo quanto com o gosto. Mas saber o que procurar definitivamente aumenta suas chances.
Você deve entrar?
Isso depende. Se você já está esgotando suas contas de aposentadoria, tem um fundo de emergência decente e está procurando diversificar de uma forma mais criativa (e potencialmente lucrativa), as artes plásticas podem ser uma adição divertida ao seu portfólio.
Mas não aposte tudo só porque parece legal ou porque você viu alguém exibindo sua coleção on-line. Faça sua pesquisa. Comece aos poucos. Considere um investimento fracionário antes de gastar cinco dígitos por uma tela original. E lembre-se de que essa é uma mudança de longo prazo, não uma reviravolta rápida.
Também é importante notar que você deve comprar obras de arte de que realmente goste. Mesmo que não suba em valor, você gostará de vê-lo todos os dias. Isso é algo que você não pode dizer sobre um fundo mútuo.
Considerações finais
As artes plásticas são a próxima grande tendência de investimento? Talvez. O mercado está evoluindo, as barreiras à entrada estão diminuindo e as pessoas estão procurando maneiras mais inteligentes (e significativas) de investir seu dinheiro. Se você é um investidor experiente ou está apenas começando, a arte pode ser tanto uma ferramenta financeira quanto uma alegria pessoal. Só não se empolgue com a ideia de transformar cada peça em um pagamento. Nem toda arte vai para a lua. Mas alguns podem — e a viagem até lá pode ser mais inspiradora do que qualquer relatório de lucros.